Mais do que ser homem, a vida tem passado por mim e tem-me ensinado coisas muito relevantes. Para além daquilo que distingue um indivíduo de um exemplar de 'homem que é homem', há ainda tudo aquilo que permite separar machos de machões.
Um machão é o tal sujeito que não se nega a prestar o clássico serviço de aquecer as trombas à parceira, seguido dessa cereja no topo do bolo que consiste no cuspir para o chão, precedido da respectiva prospecção ruidosa de fluidos para expectoração. Um machão é troglodita e, portanto, sendo um concentrado violento de testosterona é um ser que tende a violar os direitos, liberdades e garantias de forma ostensiva. O machão tem muitas das suas faculdades toldadas pelas hormonas e acaba por ser uma overdose de virilidade. Assim, homem que é homem não é machão. Um machão é excessivo para se mostrar em vários sítios da moda e dificilmente se conseguirá obter um machão cool ou mesmo sofisticado. Um machão com roupa de marca e vestido como se acabasse de chegar do golfe e regressasse à Quinta da Marinha é uma quimera.
Um homem muito macho não chega nunca a machão e facilmente regressa do golfe para a Quinta da Marinha como peixe regressa à água. Já instalado em casa, se for um macho abonado financeiramente, tem criadas para humilhar, de preferência brasileiras ou africanas, legais segundo ele mas ilegais segundo os critérios da lei e do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. Não precisa assim de humilhar a esposa. Aliás, humilhar é suficiente: já não bate. O macho não bate porque, diz ele, já não precisa. Era enfant terrible na escola, uma espécie de poltergeist musculado que fustigava tudo e todos, com algum charme. O macho tem charme e, não adoptando a máxima do 'quanto mais me bates mais eu gosto de ti', fica-se pela confortável 'batia-te mas tu tens um número suficientemente baixo de sinapses para que te submetas sem ter que te sacudir o pó da cara'. Isto faz parte do conjunto de características que nos permite afirmar estarmos em face daquilo que Kuhn não hesitaria em classificar como uma mudança de paradigma. O macho é um homem que é homem mas presta-se à sofisticação. Não é dado à literatura mas sabe de tudo. Quando não é abonado financeiramente é uma espécie de fusão entre a imitação do modelo paterno, que pode estar ou ter estado no limiar do machão, com o homo politicamente correctus. Sabe tudo sobre tudo, conhece a fundo as leis do mercado de valores mobiliários e imobiliários, é um teórico da bolsa, embora não invista porque é adepto do trabalho honesto. O macho é transversal à sociedade portuguesa e é a prova de que a luta de classes encontrou uma fórmula mágica de superação. Ser macho é ser homem, na justa medida. E homem que é homem sabe de medidas, a olho.
5 comentários:
eras enfant terrible? e ainda és?
Nunca... porque é que achas que escrevo isto? Sou homem mas fico sempre aquem dos critérios de macho ou machão. Felizmente!
.... :) boa semana
homem que é homem continua a tecer reflexões baratas... ;) et plus rien, du tout! dommage!
acho que namorei um macho desses...
...há uns anos atrás.
Ufa...!
CSd
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